quarta-feira, 15 de março de 2017

Campo das letras, poema RCF



Oh, espírito de Faulkner no campo de cidadezinhas imaginárias.
Oh, espírito devastado na terra poética de Eliot,
espargindo dull roots.
São cruzes no cemitério
da memória
do campo,
cada letra um grão
e cada palavra um pé de milho
– ali estão os escritores canaviais como Graciliano
na sua imensa plantação de vidas secas,
no latifúndio infindo dos livros,
escutando o violino do vento
afinando as cordas
                    para a sinfonia de som e fúria.



(do livro Terratreme, 1997)

imagem retirada da internet: portinari

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