terça-feira, 23 de agosto de 2016

Viuvez da humanidade, crítica sobre O viúvo


Não é só pelo texto de correta sintaxe, ou pela impecabilidade do andamento da narrativa, construída em unidades de dominada autonomia, que o romance de Ronaldo Costa Fernandes – cativa, assoberba e embebeda o leitor, mas, sobretudo, pela capacidade de fundir personagem e realidade. No andamento, a realidade vai se fechando com suas falências, nada incentivadoras do investimento afetivo. Várias outras superposições criativas apontam para a oportunidade de se inscrever O viúvo (LGE) entre os grandes clássicos da literatura brasileira, e que o recomendam para estudo nos assentos escolares para que seja identificado o homem que vai se moldando na automatização das relações sociais, somadas aí as muitas perdas a que ele se submete. Primeiramente, o domínio de localização temporal do personagem. Em seguida, os diálogos, que não funcionam com a presença de um interlocutor, mas com a intervenção das próprias neuroses do personagem. Assim, Ronaldo Costa Fernandes, já aclamado por críticos como Franklin de Oliveira e Oswaldino Marques, e detentor de vários prêmios (destaque para o Casa de Las Américas e o Guimarães Rosa), com O viúvo demonstra que, além de conhecer os domínios da narrativa, encontra-se no auge de sua potencialidade criativa.

















Jornal do Brasil - 23/12/2005 - Salomão Sousa



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