terça-feira, 6 de junho de 2017

Águas do remorso, poema RCF







E o homem ali, encharcado,
franzido de tanta imersão:
são as águas que não lavam,
dissolvem, limpam ou apagam.
São águas que criam
o limo das lembranças,
a água estagnada de remorso,
a cada dia mais turva,
até secar o homem
de tanta umidade dos anos
e que não deixam cimentar
o muro do esquecimento.


(do livro Memória dos porcos. Rio: 7Letras, 2014)


Nenhum comentário:

Postar um comentário