sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Ecologia do corpo, poema RCF



 


 


 

Nesta terra devastada mais devastado é meu coração.
As aves que aqui gorjeiam são corvos de Poe.
Meu espanto é um cacto
e, ao desflorestamento dos meus desejos,
nada tenho de mim além da minha secura.
Aos poucos seria catástrofe e ninguém me plantará.

(do livro Memória dos porcos. 2012)






(foto:rdney smith)

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