sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Memorabilia, poema RCF



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A surpresa sucumbe submissa e arredia.
Os móveis tímidos,
pratos desconfiados.
Não sei para que ralo
escorre o líquido solitário.
Sou feito de matéria que desconheço.
Minhas pernas já se acostumaram
a tomar seu rumo.
A gente vai inventando vivência.
O burburinho de roupas falantes,
a algaravia de pernas de voz fina.



(do livro Memória dos porcos. Rio: 7Letras, 2012)



segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Flauta, poema RCF














Encontraremos o clarinete dos uivos
antes de aborrecer as paredes.


A areia movediça das interrogações 
nos moerá 
e a numismática dos retratos 3x 4 
revelará 
o susto impresso.


No bolso, as chaves criam 
o molho do destempero.


Ainda ouviremos o pio das freadas
inquietando o acelerador de nervos.


Cai uma chuva  
de pingos que exclamam
e chaves de interrogação
que não encontram 
a resposta das portas.



(do livro Matadouro de vozes. Rio: 7Letras, 2018)