quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Bagaço, poema

 




A moenda dos dias

tritura o que já é bagaço.

Sem rosto,

não me encontro

em nada que faço.

Não sei se chego

ou se estou de partida.

Aqui fico, espectador,

a vida passa,

recolho minhas dores civis;

conclusão:

fui um fazedor que nada fez.

 

 


quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Putas, poema

 



Os carros passam

trotando os pneus.

As mulheres, espantalhos

na plantação das calçadas.

A língua ofídica.

A arma branca

soltada das braguilhas.

O medo é melado.

As cores baças escondem

as estrias da vida.

O gemido buzina.

A vida cortante,

como o vento das esquinas,

escorre pelas pernas.

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Diabo, poema

 

 


 

 

O lobo é o diabo do cordeiro

o capitão do seu sargento

o cachorro do gato

o inspetor do transgressor

na ciranda dos diabos e

dos pobres

todos somos pobres diabos.

O diabo é que o rico

é diabo mas não é pobre.

E se tem um diabo

para o diabo rico

- que o pode fazer pobre diabo –

é seu espírito atormentado,

que empobrece o diabo rico

e o torna um pobre diabo.