sábado, 19 de setembro de 2026

Esperança, poema

 

 


 

 

 

Não quero ter a esperança

dos bois de matadouro.

Sobreviver

como um pássaro

pousado na boca de um cão.

Alma seca e austera.

Vou à rua.

Trago o peso das compras

e a sugestão das vendas

nos olhos.

 

 

 

 

 

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Náufrago, poema

 

 

 

 

Roberto Magalhães

 

 

 

Os aviões

farejam na pista

o capim cinza do asfalto.

O aeroporto são luzes

gritando e soluçando

no espaço de um pouso

e de uma decolagem

– a vida entre aspas.

Para nós que sobrevivemos

ao amigo suicida, ao louco

e ao que morreu na política,

a vida é o pasmo

de saber-se náufrago do ar.

 

 

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Frente e verso

 






Quando ando em Paris

no meu bairro

quando corro

e não saio do lugar

quando chego

em casa no trabalho

quando choro meus mortos

que ainda estão vivos

quando tiro

o pino da granada

da fruta de conde

é que meu verso

está na minha frente.