segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Diabo, poema

 

 


 

 

O lobo é o diabo do cordeiro

o capitão do seu sargento

o cachorro do gato

o inspetor do transgressor

na ciranda dos diabos e

dos pobres

todos somos pobres diabos.

O diabo é que o rico

é diabo mas não é pobre.

E se tem um diabo

para o diabo rico

- que o pode fazer pobre diabo –

é seu espírito atormentado,

que empobrece o diabo rico

e o torna um pobre diabo.

 

 

  

Tempo, poema

 

Botero



Quero ser como o tempo:

seco.

Quero ser como o tempo:

pedra no deserto

que se desgasta

indiferente à intempérie.

 

 

 

domingo, 20 de setembro de 2026

Giralua, poema

 

 


 

A canga do sereno

trepa nos meus ombros,

olho o jardim das giraluas,

que é o parente noturno

do girassol.

Tenho a disciplina rebelde

das águas encanadas,

o aquartelamento

dos sentidos,

a hipótese das velhas

cadernetas de telefone.