terça-feira, 15 de setembro de 2026

Fuga, poema

 

 



Há muita coisa armada

no horizonte

de concreto das cidades.

Minha pupila, por sua vez,

não aprende a realidade.

Da música de que sou feito,

pouco tenho harmonia,

e, pelos cantos,

há bastante fuga em mim.

 

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Remorso, poema

 

 


Larga de mim, ó,

cãibra do remorso,

afrouxa meus pecados,

não deixa que a cadeira

do cinema seja elétrica,

as escadas da queda

rolantes,

os juízos não sejam finais

nem a matéria,

prima do perecível.

 

 

 

 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

O susto e o redemoinho, poema

 



 

 

Um susto redemoinha meus dias,

uma correnteza carrega meus pés

num chão de água.

Sou uma cabeça que ora boia,

ora submerge aos tropeços.

Ando numa ciranda de águas.

A profundidade das calçadas

ameaça minhas margens.

Minhas pernas flutuam o acaso,

que é sempre súbito

e enforca meus dias.

Tento colocar a cabeça para fora

nessa ressaca de lutos.

Complicado se equilibrar

num meio fio.