Ronaldo Costa Fernandes
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Um homem é muito pouco 12
ganhou, entre outros, os prêmios de Revelação de Autor da APCA, o Casa de las Américas e o Guimarães Rosa. No ano de 1998, edita Terratreme, poesia, livro que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura, pela Fundação Cultural do DF. Durante nove anos dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. É Doutor em Literatura pela UnB. Em 2000, publica o livro de poemas Andarilho, da ed. 7Letras. Em 2004, sai Eterno Passageiro (Ed. Varanda). Em 2005, pela Ed. LGE, lança o romance O viúvo, que o crítico Adelto Gonçalves chamou “de uma das primeiras obras primas da literatura brasileira do séc. XXI”. Em 2007 lançou dois livros: Manual de Tortura (Esquina da Palavra, contos, 2007) e A Ideologia do personagem brasileiro (Editora da UnB, ensaio, 2007). Em 2009, sai A máquina das mãos, poemas, publicado pela 7Letras, que ganhou o Prêmio de Poesia 2010, da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro de 2010 lança o romance Um homem é muito pouco. Memória dos Porcos é publicado em 2012. O difícil exercício das cinzas, de 2014, é seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016) e, mais recente, Matadouro de Vozes (2018)
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Sapatarias, poema
As sapatarias guardam
à noite o diálogo
das promessas
de passos que não se dão
e os caminhos sem
medidas.
Por sua vez, os sapatos,
a oferta da espécie,
que se acostumou
à trilha dos nômades,
mudam-se em couros.
Todas as viagens
são feitas na memória.
E as sapatarias
o verdadeiro
museu do futuro.
Às vezes, calço a manhã
e ela me aperta.
À noite, me calço
do generoso que não fui.
São ex-votos
essa aberração
de pares sem pernas.
ganhou, entre outros, os prêmios de Revelação de Autor da APCA, o Casa de las Américas e o Guimarães Rosa. No ano de 1998, edita Terratreme, poesia, livro que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura, pela Fundação Cultural do DF. Durante nove anos dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. É Doutor em Literatura pela UnB. Em 2000, publica o livro de poemas Andarilho, da ed. 7Letras. Em 2004, sai Eterno Passageiro (Ed. Varanda). Em 2005, pela Ed. LGE, lança o romance O viúvo, que o crítico Adelto Gonçalves chamou “de uma das primeiras obras primas da literatura brasileira do séc. XXI”. Em 2007 lançou dois livros: Manual de Tortura (Esquina da Palavra, contos, 2007) e A Ideologia do personagem brasileiro (Editora da UnB, ensaio, 2007). Em 2009, sai A máquina das mãos, poemas, publicado pela 7Letras, que ganhou o Prêmio de Poesia 2010, da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro de 2010 lança o romance Um homem é muito pouco. Memória dos Porcos é publicado em 2012. O difícil exercício das cinzas, de 2014, é seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016) e, mais recente, Matadouro de Vozes (2018)
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Meu coração é uma máquina fotográfica , poema RCF
Tua
fotografia,
espelho
fixo,
entre a película e a
íris
expõe a luz do negativo.
As cidades, ó, as cidades
– Amsterdam, Piza, Cairo –
sonhos, anseios e
desejos
antes que ruas,
edifícios e cafés.
Meu
coração salta do peito
um coração como
uma máquina fotográfica
que pulsa a cada chapa
e
rebobina em estertores.
As línguas todas
estiradas
nas folhas
vermelhas do bico-de-papagaio
tagarelando
a
manhã vegetal.
Minha casa é uma cidade
pois nela
cabem
as
esquinas dos relógios,
o
tumulto dos corredores,
os
elevadores de cabo roto
do
pesadelo.
Caminho
de dia
e
o monóculo da Lua
branca
e mimética
fecha um olho
como quem atira
no alvo da minha
pele.
Sou
um percevejo feliz
e pródigo
– cato moedas e acenos –
quando partir
só o gosto dos lenços
brancos
me encherão os olhos
como lágrimas de
pano.
(do livro de estreia Estrangeiro, 1997)
ganhou, entre outros, os prêmios de Revelação de Autor da APCA, o Casa de las Américas e o Guimarães Rosa. No ano de 1998, edita Terratreme, poesia, livro que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura, pela Fundação Cultural do DF. Durante nove anos dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. É Doutor em Literatura pela UnB. Em 2000, publica o livro de poemas Andarilho, da ed. 7Letras. Em 2004, sai Eterno Passageiro (Ed. Varanda). Em 2005, pela Ed. LGE, lança o romance O viúvo, que o crítico Adelto Gonçalves chamou “de uma das primeiras obras primas da literatura brasileira do séc. XXI”. Em 2007 lançou dois livros: Manual de Tortura (Esquina da Palavra, contos, 2007) e A Ideologia do personagem brasileiro (Editora da UnB, ensaio, 2007). Em 2009, sai A máquina das mãos, poemas, publicado pela 7Letras, que ganhou o Prêmio de Poesia 2010, da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro de 2010 lança o romance Um homem é muito pouco. Memória dos Porcos é publicado em 2012. O difícil exercício das cinzas, de 2014, é seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016) e, mais recente, Matadouro de Vozes (2018)

