terça-feira, 3 de novembro de 2026

Salto, poema

 

 

 


 

Engraxo meus sapatos

com certa frequência.

Quantas vezes executei         

o mesmo gesto?

Penso em meu corpo,

no couro do meu corpo.

Necessito de graxa?

Talvez mereça

um salto novo,

quem sabe sem rede.

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Copo de plástico, poema

 

 

 

Max Ernest

 

O cemitério

é o lixo dos homens

e a morte a prova

de que valemos

menos do que um copo

de plástico que dura

duzentos anos ou mais.         

 

 

domingo, 1 de novembro de 2026

Banco de praça, poema

 

 

 


Estarei aqui, meu amor,

num banco de praça,

assistindo ao dia morrer

golfando nuvens.

Mesmo que venhas com

atraso de anos,

senta-te neste mesmo banco

e pensa que aqui existi

e em ti pensei,

sem bravura, humildemente

como um homem do povo

que vê os pombos

disputarem o sol da tarde.