quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Remorso, poema

 

 


Larga de mim, ó,

cãibra do remorso,

afrouxa meus pecados,

não deixa que a cadeira

do cinema seja elétrica,

as escadas da queda

rolantes,

os juízos não sejam finais

nem a matéria,

prima do perecível.

 

 

 

 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

O susto e o redemoinho, poema

 



 

 

Um susto redemoinha meus dias,

uma correnteza carrega meus pés

num chão de água.

Sou uma cabeça que ora boia,

ora submerge aos tropeços.

Ando numa ciranda de águas.

A profundidade das calçadas

ameaça minhas margens.

Minhas pernas flutuam o acaso,

que é sempre súbito

e enforca meus dias.

Tento colocar a cabeça para fora

nessa ressaca de lutos.

Complicado se equilibrar

num meio fio.

 

sábado, 29 de agosto de 2026

Formigável, poema

 


 


 

Corto as folhas da relva

dos meus poemas.

A cabeça grande

das ideais tolas.

A fila indiana

dos meus problemas.

Em meu formigueiro

há o burburinho

animal da espécie:

o frenético trabalho

da realidade.

Formiga em mim

uma necessidade de vida.