quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Frente e verso

 






Quando ando em Paris

no meu bairro

quando corro

e não saio do lugar

quando chego

em casa no trabalho

quando choro meus mortos

que ainda estão vivos

quando tiro

o pino da granada

da fruta de conde

é que meu verso

está na minha frente.

 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Fuga, poema

 

 



Há muita coisa armada

no horizonte

de concreto das cidades.

Minha pupila, por sua vez,

não aprende a realidade.

Da música de que sou feito,

pouco tenho harmonia,

e, pelos cantos,

há bastante fuga em mim.

 

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Remorso, poema

 

 


Larga de mim, ó,

cãibra do remorso,

afrouxa meus pecados,

não deixa que a cadeira

do cinema seja elétrica,

as escadas da queda

rolantes,

os juízos não sejam finais

nem a matéria,

prima do perecível.