segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Foice que fatia o ar, poema RCF





O corpo se executa
na tarefa da exatidão,
mostra-se curva e linha,
curva que não entorta,
linha que é o caminho mais curto entre dois corpos.
Sabe Deus também escrever
por linhas cartesianas,
e, na sua cerâmica sabedoria,
esculpir o zero do barro e o absoluto do vazio,
sendo o artesanato do barro
a tua presença que tudo preenche,
sendo o absoluto do vazio
a tua presença de sopro que dá vida ao vácuo.



(Eterno passageiro, Ed. Varanda, Brasília, 2004)

imagem retirada da internet: di cavalcanti

 

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