quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Putas, poema

 



Os carros passam

trotando os pneus.

As mulheres, espantalhos

na plantação das calçadas.

A língua ofídica.

A arma branca

soltada das braguilhas.

O medo é melado.

As cores baças escondem

as estrias da vida.

O gemido buzina.

A vida cortante,

como o vento das esquinas,

escorre pelas pernas.

 

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