quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Pai eterno, poema

 

 


 

Agora que és

apenas gestos

num filme doméstico

para uma sala vazia;

agora que teus companheiros

também entram

na neblina do tempo;

agora, que teus filhos

são avós, sei porque

uma tarde, longínqua,

sedento, tomaste

um copo de água

e olhaste para mim

com desespero

de quem descobre

na sede uma submissão

ao minuto e à vida.

 

 

 

 

 

 

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