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quarta-feira, 27 de abril de 2016

De como Fernando Pessoa chegou ao Brasil, Walnice Nogueira Galvão





De como Fernando Pessoa chegou ao Brasil – III,
por Walnice Nogueira Galvão
Com uma proposta nova, o grupo de declamação intitulado Os Jograis estreou a 16 de maio de 1955. Quem declamava era um quarteto masculino, que se apresentava de smoking. O líder, Ruy Affonso - cuja amizade com Cecília Meireles, fã e divulgadora pioneira de Fernando Pessoa, seria decisiva na escolha do repertório de lançamento – mantinha-se fixo, os demais revezando-se com maior ou menor freqüência: Rubem de Falco, Felipe Wagner, Ítalo Rossi, Maurício Barroso, Carlos Vergueiro, Raul Cortez, Carlos Zara, e tantos outros, todos atores que fariam brilhante carreira.
Seu êxito foi imediato e estrondoso, e quando no ano seguinte excursionaram ao Rio, ocuparam um palco de extraordinário prestígio, o auditório do Ministério da Educação. Primeiro edifício público modernista do país, assinado por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, com assessoria de Le Corbusier, foi cantado em verso e prosa tanto por cronistas quanto por poetas. Pronto em 1947, o prédio era a concretização arquitetônica dos novos padrões estéticos, enquanto Brasília, a ser inaugurada em 1960, mal se delineava no horizonte. Na estreia da temporada carioca comprimiam-se 2 mil pessoas em 800 lugares.
Logo Os Jograis gravariam o disco Fernando Pessoa, tão disputado que exigiria sucessivas tiragens.  O grupo passou a ser atração obrigatória nas principais celebrações do país, como o IV Centenário do Rio de Janeiro (1965) e o 50º. Aniversário da Semana de Arte Moderna (1972).
Tal êxito, que já ultrapassou meio século de existência, pode ser aquilatado pelo fato de ter contribuído para a língua portuguesa se não com um neologismo, pelo menos com um deslocamento semântico. Ao utilizarem seu rótulo como litotes, procuravam com modéstia identificar sua performance à de artistas ambulantes como os saltimbancos e trovadores. Todavia, passaram involuntariamente a ser imitados em tudo quanto é festinha de escola e de paróquia, “fazer um jogral” tornando-se sinônimo de qualquer declamação coletiva. O novo significado não alcançou o Dicionário Aurélio, mas, com a data de entrada no léxico português devidamente registrada, já figura no Houaiss.
E deflagrou outros usos. Batizou a boate Jogral, que ficava na Galeria Metrópole ao tempo em que um dos epicentros de São Paulo passava por aquele quarteirão: atrás da Biblioteca Municipal Mário de Andrade, onde se localizavam, entre outros, o Paribar, o Barbazul e o Arpège na São Luiz. Logo adiante, na Major Sertório, vicejaria por curto período o João Sebastião Bar, com seus shows de bossa nova. Entre as muitas boates da região a atrair a freguesia distinguiam-se o Michel, a Baiúca, a Oasis. O Jogral mudou-se para a rua Avanhandava em 1968, ainda no centro, onde resistiria mais um pouco, quando fechou as portas devido à morte do dono, o compositor Luiz Carlos Paraná, parceiro de Adauto Santos, que se apresentava ao violão. O bar era frequentado por intelectuais e artistas, e entre muitos outros por Marcus Pereira e por  Paulo Vanzolini, que lá cantava informalmente.
Na condição de filhote do TBC, os componentes de O Jogral pertenciam a esse teatro mas, sobretudo, representavam a dicção TBC: típica pronúncia paulistana de alta burguesia, escoimada de qualquer resquício estrangeiro, sobretudo italianado, como era comum em São Paulo. A voz impostada no laboratório dos mesmos mestres lhes dava um ar de família mediante uma fala meio empolada, verificável ainda hoje nos discos que deixaram.
Na sequência, Os Jograis fariam espetáculos de declamação dedicados a outros poetas, apresentando-se por todo o Brasil, Angola, México e Portugal. Neste último fariam 40 shows, em 1957, contribuindo também lá para a popularização de Fernando Pessoa. E gravariam vários discos.
O ator Ruy Affonso fora um dos fundadores do TBC, teatro destinado inicialmente à apresentação de trupes de amadores, como integrante do Grupo Universitário de Teatro, liderado por Decio de Almeida Prado, que o convidou. Todos, ou quase todos, provinham da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras/USP da Maria Antonia. Ruy Affonso já no segundo ano passaria a profissional. Foi ele a mola-mestra de Os Jograis, desde o lançamento até sua morte.
Walnice Nogueira Galvão é professora emérita da USP

sexta-feira, 11 de março de 2016

Nos rastros de Fernando Pessoa, Walnice Galvão








Passando por Portugal, é bom lembrar que Lisboa é a cidade de Fernando Pessoa: tratemos de seguir seus rastros.
Vale uma visita à Casa de Fernando Pessoa, onde o poeta viveu seus últimos quinze anos. É um casarão com vários pisos, constituindo o mais completo e atualizado museu sobre o poeta. Ali se encontram objetos e mobiliário do espólio, bem como os famosos óculos de vovó, juntamente com a máquina de escrever, a biblioteca particular com 1200 volumes (já toda digitalizada), uma sala astrológica – assunto a que, como se sabe, o poeta era devotado -, retratos e pinturas a óleo, com versos, frases e muitas imagens suas espalhados  pelas paredes, etc.
Tão famoso quanto os óculos, fica ali também o retrato em tamanho natural pintado por Almada Negreiros. E tudo o que há de mais moderno, virtual, eletrônico e interativo, inclusive entrada de wi-fi gratuito, no projeto da arquiteta italiana Daniela Ermono  inaugurado em 1993. O mais que famoso baú não fica lá, mas na Biblioteca Nacional – onde há décadas é fonte preciosa de estudos, pesquisas e edições, já que ainda havia muita coisa inédita.
O endereço da Casa de Fernando Pessoa é: rua Coelho da Rocha, 16, no belo bairro de Campo dOurique. O nome do bairro alude ao evento fundador de Portugal, quando o país foi criado. Passou-se assim: estava o Infante D. Afonso Henriques em Ourique, no Alentejo, no sul do país, às vésperas de uma batalha com os mouros, quando teve uma visão, em que lhe apareceu Cristo crucificado, com promessas de vitória. A batalha se deu no dia 25 de julho de 1139, quando, reza a lenda, era dia do aniversário tanto do Infante quanto de Santiago (S. Tiago) o Matamouros. A lenda reza ainda que o Infante comandou a luta com um inimigo numerosíssimo, liderado por cinco reis mouros. Filho e herdeiro do conde Henrique o Borguinhão, a vitória deu-lhe o título de rei, e a Portugal a autonomia, promovendo o país de condado a reino. Assim, Portugal viria a ser o mais antigo país da Europa, ou seja, o primeiro a se constituir. Se alguém estiver interessado, pode ler o episódio descrito com abundância de detalhes no poema épico nacional, Os Lusíadas, de Camões. Essas circunstâncias ficaram gravadas até hoje no brasão de armas da nação, ou escudo, onde se vêem, muito estilizados, tanto as cinco chagas de Cristo quanto os cinco reis mouros.
Não longe da Casa de Fernando Pessoa fica o túmulo do poeta, no Cemitério dos Prazeres, onde foi enterrado. Posteriormente, ele seria trasladado para o Mosteiro dos Jerônimos, ganhando um monumento fúnebre, numa figuração do ortônimo com seus três heterônimos principais – Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis.
Em outro bairro, o Chiado, na calçada defronte ao café por nome A Brasileira encontra-se a estátua de bronze do poeta seu frequentador, sentado a uma mesa, a tomar a sua “bica” com ar absorto. Os turistas não resistem a fazer uma selfie com ele. Dentro, outro belo retrato.
Lá em baixo, na Praça do Comércio, número 3, fica o café-restaurante Martinho da Arcada,  próximo ao escritório em que o poeta trabalhava ingloriamente. Tem vista para o mar, ou pelo menos para o Tejo que já se alarga no estuário, dando matéria à poesia e alento às fantasias de Fernando Pessoa sobre viagens, navios e piratas, enquanto continuava atado à escrivaninha em seu modesto e monótono mister de amanuense. Fala-se em criar um museu a ele dedicado, nos altos do café.
A crônica do Martinho da Arcada é tão ilustre quanto boêmia, constando que foi frequentado por Bocage, Cesário Verde, Antonio Botto e o pintor Almada Negreiros, entre muitos outros, inclusive políticos, em diferentes épocas. Com o pintor teria o poeta tomado um último café, três dias antes de sua morte em 30 de Novembro de 1935.
Até hoje, Fernando Pessoa tem mesa ali reservada,
lembrando a de Hemingway em Havana no La Floridita, onde, ao que dizem, inventou o daiquiri da casa. Ao perguntar a um garçom se aquela cadeira no canto, protegida por um cordão de seda, é a de Hemingway, recebe-se inesquecível resposta: “Lo era, compañera. Ahora es nuestra”.
Walnice Nogueira Galvão é professora emérita da USP.

domingo, 9 de agosto de 2015

Biblioteca de Fernando Pessoa



Fabio Coutinho anuncia:

"Os livros da Biblioteca Particular de Fernando Pessoa estão disponíveis
gratuitamente online no site da Casa Fernando Pessoa.
Até agora, só uma visita à Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, permitia
consultar este acervo, que é riquíssimo. Com o site, bilíngue
(português e inglês) e disponível em
http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/
em qualquer lugar do mundo, com
uma ligação à Internet, é possível consultar, página a página, os cerca de
1140 volumes da biblioteca, mais as anotações - incluindo poemas - que
Fernando Pessoa foi fazendo nas páginas dos livros."

(imagem  F.Pessoa jogando xadrez)

sábado, 18 de abril de 2015

‘Orpheu’: 100 anos de uma revolução


Adelto Gonçalves

 
 

                                                           I

 

Foram apenas três números – o terceiro chegou a ser impresso, embora não tenha sido distribuído –, mas que mudaram a história da Literatura Portuguesa no século XX. Trata-se da revista Orpheu, que, lançada ao final de março de 1915, completa neste ano um século de seu aparecimento, marco do pensamento estético-literário do movimento lançado por Luís de Montalvor (1891-1947), Fernando Pessoa (1888-1935), Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), Almada Negreiros (1893-1970), Augusto de Santa Rita (1888-1956), o Santa Rita Pintor, e outros integrantes de um grupo que à época escandalizou a bem-comportada burguesia lisboeta.

Para marcar o centenário dessa publicação, o professor, poeta e crítico literário Carlos Felipe Moisés (1942) organizou, prefaciou e escreveu notas para o livro Orpheu 1915-2015 – Textos doutrinários e fortuna crítica (antologia), lançado em dezembro de 2014 pela Editora Unicamp. Na primeira parte do livro, o autor colocou os textos-gêneses do movimento, que expõem a estrutura teórica do modernismo português e constam dos três números da revista.

Já a segunda parte traz textos mais recentes, que discutem a influência do movimento nas artes, assinados por José Régio (1901-1969), João Gaspar Simões (1903-1987), Jacinto Prado Coelho (1920-1984), Adolfo Casais Monteiro (1908-1972), Jorge de Sena (1919-1978), José Gomes Ferreira (1900-1985), Eduardo Lourenço (1923), Maria Aliete Galhoz (1929), Eugênio Lisboa (1930), Arnaldo Saraiva (1939), Nuno Júdice (1949) e Luís Adriano Carlos (1959), além do norte-americano Richard Zenith (1956), pesquisador radicado em Lisboa, e do brasileiro Massaud Moisés (1928), professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP).

 

                                               II

 

Não se pode dizer que o movimento do Orpheu mudou também a Literatura Brasileira, embora tenha antecipado em sete anos o frenesi da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo. Contou, porém, com a participação de dois personagens que, influenciados pelo simbolismo que se praticava no Brasil à época, muito contribuíram para o surgimento da revista: um foi o diplomata brasileiro Ronald de Carvalho (1893-1935), que mandou sua colaboração em versos do Rio de Janeiro, e outro o português Luís da Silva Ramos, o Luís de Montalvor, que, assessor do embaixador de Portugal no Rio de Janeiro, voltava a Lisboa impregnado por um gosto mallarmeano de fazer poesia que era a origem do simbolismo. Teriam idealizado a revista em conversas no bairro de Copacabana.

Um no Rio de Janeiro e outro em Lisboa, eles aparecem como diretores do primeiro número da revista Orpheu, que trazia também o drama estático O Marinheiro, de um poeta de 27 anos de idade, pouco conhecido à época, mas que seria o mais famoso de seus colaboradores, Fernando Pessoa. Segundo Adolfo Casais Monteiro, Ronald de Carvalho e Luís de Montalvor seguiam uma linha simbolista ou decadentista ou ainda seriam adeptos do aristocratismo mallarmeano, que pouco tinha a ver com o “futurismo” de Pessoa, Almada Negreiros e Sá-Carneiro.

Que o aparecimento da revista foi um escândalo não há duvida. Tanto que uma nota publicada no jornal A Capital, de Lisboa, de 28 de junho de 1915, reproduzida por Carlos Felipe Moisés no prefácio, dizia que os “poetas e prosadores do Orpheu sofrem quase todos da cabeça”, chamando-os de “artistas de Rilhafoles”, nome pelo qual era conhecido o Hospital Miguel Bombarda, primeiro manicômio da cidade, instalado no antigo Convento de Rilhafoles e desativado só em 2011. Segundo Almada Negreiros, à época, chegou-se a pedir em Lisboa “camisa de forças para Fernando Pessoa”, como se lê em texto de João Gaspar Simões.

 

                                               III

Fosse como fosse, ainda que Pessoa e Almada Negreiros tenham vibrado com os comentários desaforados a respeito dos “rapazes do Orpheu” – o diário O Jornal, de 13 de abril de 1915, chegou a chamá-los de “loucos varridos, seres degenerados e perigosos, morfinômanos, cocainômanos” –, houve um rompimento no grupo inicial. Tanto que no segundo número aparecem como diretores Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. Diz Casais Monteiro que bastou uma atitude mais escandalosa de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, para afastar Luís de Montalvor do grupo, preocupado talvez em não prejudicar politicamente sua carreira no governo.

O segundo número teve igual êxito, mas venderam-se apenas 600 exemplares. O problema foi pagar a conta da tipografia. O pai de Sá-Carneiro, que já pagara a edição de Céu em fogo, livro do filho, relutaria em pagar também a conta da impressão da revista. Em crise existencial, Sá-Carneiro iria às pressas para Paris, depois de considerar “irrespirável” o ar que se sentia no café Martinho, de Lisboa, local de encontro de intelectuais.

Mesmo assim, o Orpheu 3 vai para a gráfica. Até que uma carta desesperada de Sá-Carneiro vinda de Paris para Pessoa exige que seja suspensa a edição da revista, depois que o pai do poeta se recusara a assumir também aquele compromisso. Logo em seguida, veio a notícia do suicídio de Sá-Carneiro em Paris.

Os textos reproduzidos nos dois primeiros números da revista (ao terceiro poucos teriam acesso) foram, no entanto, suficientes para derrubar os mitos culturais herdados do passado e dessacralizar os modelos conceptuais recebidos de uma tradição tão velha quanto a Idade Média, como assinalou Massaud Moisés.

No dizer de Eduardo Lourenço, a importância extrema de Sá-Carneiro e Pessoa na poesia portuguesa é precisamente a de terem chegado no fim desse movimento doloroso e exaltante e terem tido olhos, imagens e vida para tomar parte num confronto decisivo para o esclarecimento dos limites e poderes da alma humana. “Um perdeu aí a vida que mal tinha, o outro a que poderia ter tido. Assim ganharam a que finalmente haviam de ter”.

 

                                               IV

Carlos Felipe Moisés é mestre e doutor em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, com larga carreira de pesquisador e crítico literário dedicada à Literatura Portuguesa, em especial à poesia de Fernando Pessoa. Tem mais de 40 livros entre publicados/organizados ou edições, entre os quais se destacam O poema e as máscaras (1981), Mensagem: roteiro de leitura (1996) e Fernando Pessoa: almoxarifado de mitos (2005), dedicados ao estudo da obra pessoana.

Colabora em periódicos especializados e grandes jornais, desde os anos 60. Poeta e tradutor, foi professor da USP, de 1966 a 1991, quando se aposentou, da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), de 1966 a 1968, da Faculdade de Filosofia de São José do Rio Preto-SP, de 1966 a 1967, e da Universidade Federal da Paraíba (1977). É professor da Universidade São Marcos, de São Paulo, desde 2000. Passou duas temporadas nos Estados Unidos, ensinando na Universidade da Califórnia, em Berkeley (1978-1983) e na Universidade do Novo México (1986). Desde 1990, coordena oficinas de criação literária no Museu da Literatura, em São Paulo.

Seus livros de poesia são: Carta de marear (1966) Poemas reunidos (1974), Círculo imperfeito (1978), Subsolo (1989), Lição de Casa & poemas anteriores (1998) e Noite nula (2008), o mais recente. Sua obra ensaística inclui ainda, entre outros títulos: O desconcerto do mundo (2001), Poesia e utopia (2007) e Tradição e ruptura (2012);

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Orpheu 1915:2015 – textos doutrinários e fortuna crítica (antologia), de Carlos Felipe Moisés, organização, prefácio e notas. Campinas-SP: Editora Unicamp, 301, págs., R$ 54,00, 2014. E-mail: vendas@editora.unicamp.br Site: www.editora.unicamp.com.br

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(*) Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981), Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Caminho, 2003) e Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br