quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A nervura das fotos, poema

 


 

 


 

 

 

Que diálogo haverá

entre o que está na foto

e o outro que me mira?

Toda uma vida

não cabe

no tempo celular das fotos.

A máquina que me desbasta

os cabelos da memória

e cria um deserto de fauna humana

é a máquina zero do tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 3 de janeiro de 2026

Carnaval dos sujos, poema

 

 


 

 

Um bloco de sujos

buzina confetes.

O meu trio elétrico:

a zabumba dos meus nervos,

a batucada do meu coração solitário

e o reco-reco das idas

e vindas amorosas.

 

Aqui cruzo

as serpentinas dos braços

para o frevo do destino.

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

A pirâmide e os pobres, poema

 


 







 

 

 

O poder é

um caminhão sem freio,

cheio de negros

e pobres na caçamba.

Os negros e pobres

têm vocação egípcia:

vão continuar

a ser piso da pirâmide.