sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Náufrago, poema

 

 

 

 

Roberto Magalhães

 

 

 

Os aviões

farejam na pista

o capim cinza do asfalto.

O aeroporto são luzes

gritando e soluçando

no espaço de um pouso

e de uma decolagem

– a vida entre aspas.

Para nós que sobrevivemos

ao amigo suicida, ao louco

e ao que morreu na política,

a vida é o pasmo

de saber-se náufrago do ar.

 

 

 

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