sábado, 7 de novembro de 2026

Migrante, poema

 

 


 

Falo saudade

em várias línguas

e com muitos sotaques.

Lavo prato, toco sax

no metrô, sirvo de babá,

dirijo bonde, limpo sapatos,

sou garçom, palhaço

e limpador de vidros,

ando tanto que meus pés

se ausentam de mim.

Sei todas as manhas

do mundo, só não sei

renascer em outra pátria.

 

 

 

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