Minhas
mãos
são
mais secas
que
um deserto de carcaças.
Com
elas,
afago
a estreiteza
do
silêncio.
Meus
dedos
não
cabem na luva
um
número menor
da
frieza das negativas.
O
dedo acusa
a
vida que desabitei.
De
minhas mãos
desabam
cascatas de vazio
onde
me banho de impurezas.
As
palmas querem
segurar
o vazio
que
não é a glória
mas
a tentativa
de
agarrar o futuro.
O
futuro gosta
da
prestidigitação
e
não passa de um charlatão
que
logo, no presente,
se
percebe o logro da mágica.
Meus
dedos,
pinças
de carne,
catam
os milhos
dos
comprimidos.
E
a pílula da felicidade
– que é cor-de-rosa –
acolchoa
as paredes do real.
Minha
impressão
é
que cada palavra
é
uma digital
que
deixo no poema
que
minha mão me escreve
por
linhas tortas.
Às
vezes perco a mão
para
contar nos dedos
os
desvios do caminho
do
poema que se recusa a ser escrito.
Por
outro lado,
sei
que cozinho de mão cheia
as
horas espalmadas
em
que encontro
o
pasmo do instante.
A
unha da razão
e
a carne do desejo
fazem
parte do mesmo
dedo
acusador do destino.
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