domingo, 27 de setembro de 2026

Retrato, poema

 




Posso caber nos mais

míseros lugares:

nas frestas das janelas

abandonadas de um convento,

nos parafusos enferrujados

das mesas bambas,

nos vidros empoeirados

dos basculantes,

na dobra das cartas

do baralho de um jogo de pôquer.

O ínfimo, o pouco, o nada –

nenhum deserto tem a secura

de minha alma beduína.        

Ao me virem nas fotos

do álbum esquecido

na gaveta dirão:

quem é este de cabelos ralos

e óculos de aro fino?

 

 

 

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