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domingo, 29 de julho de 2018

O AMANUENSE BELMIRO, CYRO DOS ANJOS







            Em 2017, o livro mais importante de Cyro dos Anjos e um dos livros fundamentais da literatura brasileira comemorou oitenta anos. A primeira edição é de 1937. Com O amanuense Belmiro, Cyro dos Anjos ingressa na galeria dos grandes escritores brasileiros. Este é um livro sobre um melancólico funcionário público que resolve escrever não sabe bem se suas memórias ou um diário ou um romance. Pouca coisa acontece no cotidiano rotineiro do funcionário público que registra suas emoções, mais que as ações, de seu mundo muito restrito.
            O amanuense Belmiro pertence ao grupo de romances intimistas e enquadra-se no grupo de romance que, por gosto do paradoxo, chamo de “regionalismo urbano”. A razão de chamar “regionalismo urbano” é devido ao fato de a década de 1930 ser chamada a da Geração de 30 do romance brasileiro, dominada pelo regionalismo rural, social, engajado, tendo como pano de fundo a seca e o sertão nordestinos. Os autores como o mineiro Cyro dos Anjos com seu O amanuense Belmiro, o gaúcho Dyonélio Machado com seu Os ratos e o carioca Marques Rebelo com seu Marafa, mostram as especificidades de suas cidades e o traçado urbanístico e humano da urbe que escolheram para cenário dos seus romances.
            A vida lenta, monótona e melancólica desse amanuense não contém grandes aventuras exteriores. Mas, para compensar, seu universo interior é tão rico que o livro se torna uma das grandes expressões da intimidade e da maneira de ver o mundo. Existe uma melancolia divertida que dá um toque requintado à frase, elimina o tom dramático e trágico, e o volteio que imprime à sentença torna-a não somente original, mas também de um cunho inusitado. A grande aventura do amanuense é interior – que será realmente o grande périplo do homem contemporâneo.
            Cyro tem a influência de dois grandes escritores. De Machado de Assis herdou o gosto pelos capítulos espirituosos e curtos. De Proust, memorialista e solipsista, retira o mesmo tratamento de lembrar de forma lírica e nostálgica a infância perdida (Cyro chega a ponto de em vários momentos parar a narrativa para compará-la e afastá-la do romance prousteano com suas cidades de Combray e  Balbec, além de suas jeunes filles en fleur).

Cyro dos Anjos
            Funcionário público assíduo e solteirão, fantasiando sobre duas mulheres (Carmélia e Camila), Belmiro culpa sua função por esta propensão à reflexão. “Não sei até onde irá esta fantasia de amanuense ocioso. No fundo, a culpa é da Seção de Fomento, que não fomenta coisa alguma, senão o meu lirismo. Bem agem aqueles que acorrentam os homens e lhes dão um duro trabalho. Deixem-no folgado, e teremos o anarquista, o poeta, o céptico e outros seres que perturbam a vida do rebanho”. Ora, é claro que a ociosidade não é culpada por tantas criatividades literárias ou espíritos especulativos. Belmiro já trazia a veia lírica. E, como um Quixote moderno, não tendo La Mancha para percorrer e enfrentar tantos desafios para salvar sua Dulcinéia, a luta de Belmiro é contra a realidade mesquinha que o envolve e sua veia delicada de observador dolorido de um mundo onde não encontra lugar para estabelecer-se.
            Contudo, Belmiro é sociável, ainda que não tenha namorada. Mantém um círculo muito singular de amigos. Redelvim, que é um revolucionário marxista e se esconde da polícia política; Silviano, filósofo nietzscheano (como Quincas Borba com seu Humanitas, Silviano tem suas teorias sobre o ascetismo e a renúncia à banalidade da vida carnal); Prudêncio, com sua mania de falar inglês e Glicério, esnobe e rico. E a amiga Jandira que congrega o grupo por certo tempo.
            Cyro dos Anjos alimenta a mesma ironia machadiana. E desenvolve também a auto-ironia, embora não com a corrosão da ironia do bruxo do Cosme Velho. Belmiro é um narrador melancólico brando, lírico, ingênuo e, em determinados momentos, sua visão disfórica contém até mesmo certa alegria. O importante na narrativa – e neste ponto a ironia é peça importante – é a capacidade de observação do narrador. O que dá o tom de originalidade é a maneira como o narrador observa fatos ordinários.
            Cyro dos Anjos viveu a vida inteira como servidor público. Formado em Direito, trabalhou como chefe-de-gabinete para o secretário de Finanças e, mais tarde, para o governador de Minas Gerais. Dirigiu a Imprensa Oficial e, transferindo-se para o Rio de Janeiro, ocupou cargos na administração pública do governo Dutra. Trabalhou com Juscelino Kubitschek como conselheiro do Tribunal de Contas. Manteve também uma paralela atividade como professor universitário, em Minas e em Brasília. Cyro pertence à geração de Pedro Nava, Carlos Drummond de Andrade, Abgar Renault, Milton Campos e muitos outros mineiros literatos e políticos.
            Sua ligação com Drummond é mais que de amizade: em O amanuense Belmiro, o narrador cita trechos do poema do autor de A rosa do povo: “Mundo mundo vasto mundo / se eu me chamasse Raimundo / seria uma rima, não seria uma solução”. Ora, é uma citação no calor da hora modernista. Cyro dos Anjos deste modo constrói seu romance dentro da ótica da nova estética que se impunha: a da Semana da Arte Moderna de 22. Só que Cyro não tem o arrojo formal e cubista de um Oswald de Andrade, com seu Memórias de João Miramar, ou o despojamento cínico e carnavalesco de Macunaíma. Isso em nada invalida sua prosa. Embora elegante, de um português exemplar, O amanuense Belmiro é um romance avançado para a época.
            A solidão amorosa e patética de Belmiro, contudo, não será a solidão urbana dos grandes centros, da massificação e do anonimato das megalópoles. Belmiro vive numa Belo Horizonte ainda provinciana. Sua solidão é traço de personalidade e é ela que permite que seja um observador privilegiado, distante das paixões políticas ou da agitação mundana. A única cena que o atordoa e o pode tirar de sua servidão ao vício da melancolia é a do carnaval em que ele é envolvido num torvelinho de gente e pensamentos. Belíssima cena que, colocada logo de início, poderá levar ao leitor a idéia de um romance mais abrangente e cheio de peripécias. É apenas um hiato, perverso e alucinante hiato, que o retira momentaneamente da realidade mesquinha.
            Esta obra-prima da literatura brasileira contém dois elementos primordiais em toda narrativa: o mundo de dentro e o mundo exterior. Como seus companheiros de escritura, e também mineiros, Lúcio Cardoso e Cornélio Pena, dois atormentados, que escrevem romances dolorosamente intimistas, Cyro dos Anjos, aproxima-se deles ao introjetar o mundo exterior e, internalizado o de fora, transformar as ações em pensamentos. Afasta-se deles pela leveza e auto-ironia e constrói uma narrativa em que as peripécias são pretextos a longas reflexões sobre a natureza humana.
            Fruto de seu tempo, o narrador apresenta no livro alguns pensamentos e até mesmo comentários filosóficos. Mas as “filosofias” contidas no livro como o marxismo de Redelvim ou o idealismo transcendental de Silviano mostram apenas as exacerbações e inquietações político-filosóficas da época, caracterizando mais o personagem de que dando amparo a uma discussão metafísica a que o livro não se propõe. Mostra que o amanuense, celibatário morando com duas tias, embora recolhido, está atento às idéias que pululam em sua volta.
            O amanuense Belmiro não foi o único livro que Cyro dos Anjos publicou. De sua bibliografia constam Abdias (1945), Montanha (1956), A menina do sobrado (1979) e Poemas coronários (1964). Mas nada se compara a O amanuense Belmiro, sua obra maior. Com ela, ingressou definitivamente na história da literatura brasileira. Em 1976, retorna ao Rio de Janeiro e, como professor titular extraordinário, dará na Universidade Federal do Rio de Janeiro o curso “Oficina literária”.
            Há de se distinguir nos processos de construção da narrativa várias expressões da subjetividade como o fluxo de consciência (stream of counsciouness), o monólogo interior, a prosa personalística mas que engloba uma visão geral (o “eu coletivo”, como chamou Silviano Santiago, de Sérgio, personagem-narrador do romance O Ateneu) e, entre outras, a dicção analítica de O amanuense Belmiro, que sobre cada ação tira uma digressão original. Esse personagem misantropo, tímido, recatado e solitário não é um ser que vá contra a sociedade nem dela se isola. Tem família e amigos, mas seu “eu” é tão singular que não consegue ultrapassar a barreira imaginária criada em torno de si.
            A burocracia já deu grandes romances na história da literatura nacional (entre eles, O triste fim de Policarpo Quaresma ou Memórias do escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto) e internacional (entre outros, O processo, de Kafka, ou até mesmo, de maneira simbólica, O deserto dos tártaros, de Dino Buzatti, que se passa num quartel onde nada acontece). A burocracia em si, embora não seja o tema desses romances, é o caldo de cultura em que se fomentam não apenas o ócio, mas a grande crise do homem em relação ao trabalho, ao Estado, aos governos e a inutilidade dos gestos humanos que se perdem na repetição esterilizante.
            O ponto de vista de Belmiro não é de desistência da vida, nem mesmo poderia considerar uma acomodação. Belmiro é mais sutil e incisivo: a vida é uma agitação sem sentido (parodiando a frase shakespereana: “a vida é uma história contada por um clown significando nada”). Culto, não consegue participar ativamente dela. Logo, a feroz atividade humana e suas inter-relações, seus intercâmbios sociais e suas trocas simbólicas, só aumentam seu abismo entre sua existência e os outros. Muito se deve, não há dúvida, ao caráter de observador da vida do próprio autor, mas também há de se pensar no momento histórico pelo qual o país passava: ditadura Vargas, tentativas de golpe, uma perspectiva de opressão e desânimo. Não se procure também nem Pascal nem Schopenhauer na obra de Cyro dos Anjos como foram buscados os mesmo filósofos para encontrar a “filosofia” de Machado de Assis. Os romances não são tratados de filosofia, nem seus autores filósofos. O que existe em Belmiro, mesmo citando filósofos, é uma desencantada constatação da solidão humana. De um círculo mínimo e do qual não se pode escapar e que ele, Belmiro, precocemente, percebeu antes daqueles que chegaram à velhice.
            Restam ainda algumas considerações sobre a forma de diário que o autor escolheu para apresentar seu livro. O diário são fatias de vida e, propositalmente, fadadas a um não leitor, ou seja, a um monólogo. É um diálogo entre o ator e o pensador. O ator das ações de um dia e aquele que registra e faz reflexões sobre o ocorrido. O diário é a maneira de recortar a realidade e oferecê-la como fragmento. Além disso, se ele restringe ao propor falar sobre datas, ele se abre à confissão. Dessa forma, o diário é redutor e ao mesmo tempo universal.
            Mário de Andrade condenava a literatura brasileira de sua época que era feita, segundo ele, de personagens perdedores. Mário não procurou entender a razão desta derrota, apenas constatou o modo introspectivo e a desistência da vida. Já apontei em livro (A ideologia do personagem brasileiro) esta derrota – Mário não percebeu que até mesmo o seu anárquico Macunaíma era um personagem derrotado – que advinha de uma derrota externa: a falta de perspectiva de uma nação. Não percebia também que era uma tendência mundial a usufruir a grande descoberta da virada do século XIX para o XX: a descoberta por Freud do inconsciente e os mecanismos de funcionamento da censura na consciência introspectiva.

(do livro A cidade na literatura e outros ensaios. São Luís: Academia Maranhense de Letras, 2016)


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Os ventos gemedores, Cyro de Mattos



   ‘Os ventos gemedores’: saga do Brasil arcaico                                                                                      Adelto Gonçalves (*)

 

                                                           I

 

No Brasil, sempre foi assim: a luta pela terra invariavelmente produziu heróis falsos e mártires verdadeiros. E o Estado sempre esteve ao lado dos mais fortes, aqueles que conseguiam pela força subjugar os demais. Para aqueles que venciam, nunca faltou a falsa pena dos escribas para legalizar suas conquistas nos papéis dos cartórios e incensá-los na História. Ainda hoje é assim: os mandões do sertão ganham placas e viram nome de fundações ou de ruas, avenidas ou rodovias. Já para os derrotados sobram – quando muito – uma vala sem lápide e o esquecimento eterno.

Sempre foi assim, desde os tempos dos chamados bandeirantes, homens mestiços, filhos de mães indígenas ou miscigenadas, que largavam tudo na cidade de São Paulo ou em vilas como Santana do Parnaíba e Taubaté para, a partir de Araritaguaba (hoje Porto Feliz), seguirem em canoas à frente de uma legião de índios carijós, mulatos e negros em busca de indígenas que pudessem ser escravizados, de ouro e pedras preciosas e mais terras. Como arrastaram as fronteiras do Brasil para além do Tratado de Tordesilhas, hoje, alguns desses régulos são homenageados com estátuas e monumentos em que aparecem como homens de feições brancas, bem trajados. Provavelmente, seguiam para os sertões descalços e quase semi-nus, como os indígenas  e africanos que comandavam.

Ainda hoje é assim. Volta e meia, algum parlamentar é acusado de manter trabalhadores sob regime escravo em suas fazendas. De outros dizem que, em suas terras, ninguém entra sem autorização: se alguém entrar, ainda que involuntariamente, será recebido à bala por modernos jagunços bem armados, enquanto o mandão desfila sua onipotência em Brasília ou mesmo em congressos lusófonos em Lisboa. Os mandões modernos já não são grosseiros como os de outros tempos: afáveis, conquistam o interlocutor com muita simpatia e salamaleques.

E, assim, o mundo arcaico convive com o Brasil moderno sem maiores sobressaltos. É esse Brasil arcaico que o leitor vai encontrar no romance Os ventos gemedores, de Cyro de Mattos (1939), que acaba de ser lançado pela editora LetraSelvagem, de Taubaté-SP, em sua coleção Gente Pobre (narrativas). Ambientada nas terras do Sul da Bahia em época que se supõe que seja a de meados do século 20, a trama se dá no condado imaginário de Japará, à la William Faulkner (1897-1962), região onde a mata até então impenetrável começa a dar lugar às primeiras roças de cacau e pastos para bois e vacas. É o cenário de Terras do Sem Fim (1943), clássico romance de Jorge Amado (1912-2001), que, a rigor, inaugura a saga cacaueira do Sul da Bahia.

 

                                               II

Aqui, a luta pela terra coloca, de um lado, Vulcano Brás, um régulo do sertão acostumado a mandar bater e até matar; de outro, o vaqueiro Genaro, escolhido como líder pelos explorados, gente envelhecida precocemente que traz a pele engelhada pelo trabalho de sol a sol. Como Almira, moradora de um casebre, que procura entender, numa espécie de monólogo interior, como o vaqueiro Genaro encontrou coragem para chefiar os homens no levante:

“(...) Ele havia dito que os homens estavam dispostos a enfrentar o despotismo de Vulcano Brás, “não tenha medo, dessa vez, a gente vai tirar o freio da boca, a argola da venta, o chicote das costas e a espora da barriga”. Deu-lhe em seguida a notícia de que os homens queriam ele como chefe do levante, ela então teve medo, pensou na morte a espreitar pelos cantos todos eles, de dia e de noite”.

Depois, Almira questiona: “Que adianta fazer esta revolta, Genaro? O lado de Vulcano Brás sempre foi mais forte”. Mas ele responde “A pior derrota é daquele que não luta”, acrescentando que “onde ninguém faz nada contra Vulcano Brás só a vontade dele é a única que impera, e os que se agacham permanecem assim mesmo o tempo inteiro, trabalhando, trabalhando, sem nunca ter nada na vida”.

Ainda hoje é assim não só Sul da Bahia, mas em todo o Brasil: aqueles que trabalham na terra só costumam se aposentar aos 65 anos de idade, isso quando conseguem apresentar papelada reconhecida pelos sindicatos rurais que comprove o tempo de trabalho na roça. Para ganhar salário mínimo.

O final deste livro conta a batalha corpo a corpo entre os jagunços de Vulcano Brás e os homens de vaqueiro Genaro e – ao contrário do que normalmente se dá na vida real – a vitória dos explorados, apesar das baixas de lado a lado. A vitória maior, porém, que se registra é da Literatura Brasileira que sai desse romance mais enriquecida.

                                  

                                               III

 

Nascido em Itabuna, ao Sul da Bahia, Cyro de Mattos conhece bem a região que retratou em seu romance. Foi ali que fez os primeiros estudos, concluindo o curso ginasial no Colégio dos Maristas, em Salvador. Depois, fez o curso de Direito na Universidade Federal da Bahia, concluindo-o em 1962. Hoje, é advogado aposentado, depois de militar durante mais de quatro décadas nas comarcas da região cacaueira na Bahia. Antes, atuou como jornalista no Rio de Janeiro, passando pelas redações do Diário de Notícias, Jornal do Comércio e O Jornal.

Contista, ensaísta, cronista e poeta, é autor também de livros de literatura infanto-juvenil e organizador de várias antologias. Já publicou mais de 50 livros e obteve numerosos prêmios literários. O principal foi o Prêmio Nacional de Ficção Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, para o livro Os Brabos (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1979), romance elogiado por Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) e Alceu Amoroso Lima (1893-1983).  

Sua estréia, porém, ocorreu em 1966 com o livro Berro de fogo e outras histórias, em que já se anuncia a sua preocupação em denunciar “a decadente engrenagem econômica cacaueira dominada pelo coronelismo”, como observa Nelly Novaes Coelho, professora titular de Literatura Portuguesa da Universidade de São Paulo (USP), autora do posfácio que constitui um texto-homenagem aos 40 anos (1966-2006) da carreira literária do autor. Para a professora, “a obra de Cyro de Mattos já conquistou seu lugar nos quadros da Literatura Brasileira contemporânea”.

Cyro de Mattos está incluído na antologia Narradores da América Latina, publicada na Rússia, ao lado do argentino Julio Cortázar (194-1984) e do uruguaio Mario Benedetti (1920-2009), entre outros. Seus poemas foram incluídos na antologia Poesia do Mundo 3, organizada por Maria Irene Ramalho de Sousa Santos, da Universidade de Coimbra, publicada em Portugal, que teve tradução para o inglês.

Em 2010, participou da Feira Internacional do Livro de Frankfurt, quando autografou a antologia poética Zwanzig von Rio und andere Gedichte, publicada pela Projekte-Verlag, de Halle, com tradução de Curt Meyer-Clason, tradutor de Guimarães Rosa (1908-1967). E em 2013, esteve presente ao XVI Encontro de Poetas Iberoamericanos da Fundação Cultural de Salamanca, na Espanha. Tem livros publicados em Portugal, França, Alemanha e Itália.

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Os ventos gemedores, de Cyro de Mattos. Taubaté-SP: Editora LetraSelvagem, 208 págs., R$ 30,00, 2014. Site: www.letraselvagem.com.br

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(*) Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981), Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Caminho, 2003) e Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br