segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Balé das aves humanas, poema

 


 

 


 

 

Toda bailarina

pretende ao voo,

com seus mil braços

como uma deusa hindu.

Igual ao planador,

desafia a gravidade

no balé das aves humanas.

 

Todo bailarino

almeja ser um beija-flor.

Toda bailarina está cansada

de ser puxada para baixo

e entediada

com a condição pesada

de ser humana.

 

 

 

 

 

 

sábado, 4 de janeiro de 2025

A hóstia e as ficções, poema

 


 

 


 

 

Tenho medo das comparações

que aproximam o que estavam longe:

a hóstia me parece uma moeda.

Uma moeda de trigo

no comércio das almas.

O corpo de Cristo

é redondo como uma moeda.

Não se pode mastigar

o cristo redondo

porque senão se fratura

o corpo de Cristo.

A literatura é meu confessionário,

no catecismo das palavras,

no oratório das ficções.