
domingo, 5 de abril de 2026
Um homem é muito pouco, trecho 2

ganhou, entre outros, os prêmios de Revelação de Autor da APCA, o Casa de las Américas e o Guimarães Rosa. No ano de 1998, edita Terratreme, poesia, livro que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura, pela Fundação Cultural do DF. Durante nove anos dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. É Doutor em Literatura pela UnB. Em 2000, publica o livro de poemas Andarilho, da ed. 7Letras. Em 2004, sai Eterno Passageiro (Ed. Varanda). Em 2005, pela Ed. LGE, lança o romance O viúvo, que o crítico Adelto Gonçalves chamou “de uma das primeiras obras primas da literatura brasileira do séc. XXI”. Em 2007 lançou dois livros: Manual de Tortura (Esquina da Palavra, contos, 2007) e A Ideologia do personagem brasileiro (Editora da UnB, ensaio, 2007). Em 2009, sai A máquina das mãos, poemas, publicado pela 7Letras, que ganhou o Prêmio de Poesia 2010, da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro de 2010 lança o romance Um homem é muito pouco. Memória dos Porcos é publicado em 2012. O difícil exercício das cinzas, de 2014, é seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016) e, mais recente, Matadouro de Vozes (2018)
quarta-feira, 1 de abril de 2026
A personagem do romance, ensaio 2
(Trecho do livro Narrativas da vida, o personagem do romance. São Luís, Academia Maranhense de Letras, 2023. Também encontrado em e-book, na Amazon)
(....)
Muitos
veem em Dom Quixote e Sancho Pança as versões despregadas e com vida ficcional
própria, e não apenas um pensamento contraditório, de um só personagem, ou se
quiserem, de uma só persona. A
loucura e a sensatez, o desvario e o bom-senso, o desbordamento e a vida
prática, o sonho e a realidade. Nabokov, no seu livro Curso sobre el Quijote, observa que “cavaleiro e escudeiro são em
realidade uma só coisa”. Dom Quixote é homem de seu tempo com a natureza
filtrada do Renascimento, verde e bucólica, temeroso da Santa Inquisição,
preconceituoso contra os mouros. Nabokov cita Duffield, que traduziu o livro
para o inglês e fez comentários em sua introdução em 1881.
A Espanha do século XVI estava invadida de loucos do
mesmo tipo, homens com uma ideia fixa. O país estava em mãos de loucos: o rei,
a Inquisição, os nobres, os cardeais, os padres e as monjas, todos eles
dominados pela exclusiva convicção, imperiosa e prepotente, de que para chegar
ao céu havia de passar por uma porta de cujas chaves eram eles guardiães.
[...]. Para nós tem o maior interesse o fato de assegurarmos que Cervantes sabia
de que tinha entre as mãos quando se pôs a fazer um mapa da mente humana. Foi
talvez o primeiro a navegar por essa região mais escura, falando em termos do
caráter dessa escuridão pavorosa e mostrar como sobre ela podia brilhar a luz
salvadora. O prazer que encerra a tarefa de demonstrar esta afirmação não é
menor que o seguir as aventuras de Dom Quixote em seu país natal.[1]
Esse personagem romanesco, contudo,
não tem tanta densidade interior. As aventuras se repetem e repetem. O que o
transforma e nos fixa é sua atitude, exatamente sua exterioridade e os câmbios
de “inimigos” que acabam por dar-lhe outra investidura de pensamento e internalização.
Desta maneira, ao contrário do romance moderno, Cervantes nos oferece a
oportunidade de interagir com o personagem extraindo de sua quase total introversão
fazendo-o atuar de fora para dentro. O embate entre o interior e o exterior do
personagem será visto mais à frente. Mas pode-se dizer que esta será uma
constante na formação do personagem ficcional. As ações que conformam a psique
e/ou a psique que deforma ou cria a realidade vivida pelo personagem.
É interessante observar que o
romance aparece como crítica social e apoiando-se no antagonismo personalidade
x ambiente adverso. O antagônico é que o personagem quer pertencer ao seu tempo
e a seu grupo social. O único meio que encontra para realizar sua intenção
interativa é justamente o que vai afastá-lo do convívio perverso com a
realidade. O trato com a pobreza de seu tempo se dará por intermédio do
intercurso entre ele e seu escudeiro. Repare-se que o reverso de Dom Quixote é
pobre e realista. A habitação de dois mundos conflitantes dentro do personagem,
ilusão x realidade, irá conformar a grande maioria dos personagens universais
daí para a frente na prosa de ficção.
Antissocial e irresponsável, classifica
Nabokov o personagem. “O vagabundo, o aventureiro, o louco, é fundamentalmente não
social e irresponsável”. Dom Quixote é um cavaleiro fora de lugar, não
representa sua classe, não se agrega a grupo algum, não reivindica mais que sua
loucura e busca frenética e aleatória. Deslocado no tempo, já que a figura de
um cavaleiro andante no fim do século XVI é algo ridículo.
O livro teve grande recepção e fora
traduzido imediatamente, em tempos de pouca comunicação entre as culturas, para
o inglês, francês e outras línguas, num fenômeno muito hoje conhecido, mas
espasmódico naqueles tempos. Parece que o imaginário do leitor havia
incorporado uma semelhança de amplitudes e de percepções semelhantes mesmo em
países com diversas formações. É certo que o medievalismo perpassou a todos e
muitos só o foram abolir tardiamente.
Nabokov escreve que, ao tempo de
Cervantes, já não havia a fama e consumo massivo das novelas de cavalaria.
É comum dizer-se que a moda dos livros de cavalaria
era na Espanha uma espécie de praga social que havia de combater, e que, também
se diz, Cervantes combateu e destruiu para sempre. Minha impressão é que tudo
isto é exagerado, e que Cervantes não destruiu nada; de fato, hoje mesmo se
resgata donzelas em apuros e se matam monstros – em nossa literatura barata e
em nosso cinema – com o mesmo entusiasmo de séculos atrás. [...]
Mas se pensamos nos
livros de cavalarias segundo o sentido literal da expressão, então creio que descobriremos
que para 1605, o ano do Dom Quixote, sua moda já quase havia
desaparecido; e fazia vinte ou trinta anos que se notava seu declive. A verdade
é que Cervantes está pensando nos livros que lera em sua juventude e que depois
não voltara a olhar (suas alusões estão cheias de erros) [...] [2]
Não há, contudo, como fugir dessa
observação de que os grandes personagens na literatura, não apenas pela fatura
genial de suas criações e de sua grande produção narrativa, tenham criados
arquétipos tão densos como, no teatro, o aparecimento de, por exemplo, Don Juan.
Outros arguirão que a grande literatura sempre trata de arquétipos, a que me
oporei por acreditar que o papel do romance não é a criação de estruturas
mentais que servem para o uso de outras ciências. Se acaso o romance responde a
uma questão estética e, ao mesmo tempo, carrega com ele um elemento arquétipo,
melhor para o autor e seu personagem. Mas a literatura não foi feita nem é consumida
para servir às ciências do homem.
[1]
Introdução, de 1881, à versão
inglesa de Dom Quixote traduzida por
Alexander James Duffield in: Nabokov, Vladimir. Curso sobre el Quijote. Barcelona: Ediciones B, S.A., 1997. p. 30.
[2]
Nabokov, Vladimir, idem. p. 80-81.
ganhou, entre outros, os prêmios de Revelação de Autor da APCA, o Casa de las Américas e o Guimarães Rosa. No ano de 1998, edita Terratreme, poesia, livro que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura, pela Fundação Cultural do DF. Durante nove anos dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. É Doutor em Literatura pela UnB. Em 2000, publica o livro de poemas Andarilho, da ed. 7Letras. Em 2004, sai Eterno Passageiro (Ed. Varanda). Em 2005, pela Ed. LGE, lança o romance O viúvo, que o crítico Adelto Gonçalves chamou “de uma das primeiras obras primas da literatura brasileira do séc. XXI”. Em 2007 lançou dois livros: Manual de Tortura (Esquina da Palavra, contos, 2007) e A Ideologia do personagem brasileiro (Editora da UnB, ensaio, 2007). Em 2009, sai A máquina das mãos, poemas, publicado pela 7Letras, que ganhou o Prêmio de Poesia 2010, da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro de 2010 lança o romance Um homem é muito pouco. Memória dos Porcos é publicado em 2012. O difícil exercício das cinzas, de 2014, é seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016) e, mais recente, Matadouro de Vozes (2018)
segunda-feira, 30 de março de 2026
Plástica, poema RCF
Quero um rosto sem lágrimas, doutor.
Retirar a glândula que produz
a lágrima dos mortos.
Meus mortos surgem no trânsito,
no banho, no banco, no trabalho.
Os mortos não deviam vir ao trabalho.
Choraria em seco.
Um rosto seco, um rosto plástico,
um rosto cirúrgico.
E sem saber por que não podem
sair do cárcere seco em que os pus,
renasceriam na caixa imaginária,
que é a memória,
em outra forma que não fosse líquida.
(Memória dos porcos, Rio: 7Letras, 2012)
ganhou, entre outros, os prêmios de Revelação de Autor da APCA, o Casa de las Américas e o Guimarães Rosa. No ano de 1998, edita Terratreme, poesia, livro que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura, pela Fundação Cultural do DF. Durante nove anos dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. É Doutor em Literatura pela UnB. Em 2000, publica o livro de poemas Andarilho, da ed. 7Letras. Em 2004, sai Eterno Passageiro (Ed. Varanda). Em 2005, pela Ed. LGE, lança o romance O viúvo, que o crítico Adelto Gonçalves chamou “de uma das primeiras obras primas da literatura brasileira do séc. XXI”. Em 2007 lançou dois livros: Manual de Tortura (Esquina da Palavra, contos, 2007) e A Ideologia do personagem brasileiro (Editora da UnB, ensaio, 2007). Em 2009, sai A máquina das mãos, poemas, publicado pela 7Letras, que ganhou o Prêmio de Poesia 2010, da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro de 2010 lança o romance Um homem é muito pouco. Memória dos Porcos é publicado em 2012. O difícil exercício das cinzas, de 2014, é seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016) e, mais recente, Matadouro de Vozes (2018)
quinta-feira, 26 de março de 2026
Outubro, poema de Ronaldo Costa Fernandses
Odeio as geladeiras
que conservam corpos esquartejados;
as agendas que escrevem à mão o futuro.
Os cães daqui de casa latem para o sol
como os lobos para a lua.
Não são duas faces da mesma moeda,
mas as duas moedas da mesma face da vida.
Quero ser uno e dois,
aprender com a disciplina dos becos,
lá onde a saída é a entrada.
Quero ser estático e andarilho,
aprender com a disciplina dos rios
que se movem sem sair do lugar.
(do livro Eterno Passageiro, Ed. Varanda, Brasília, 2004)
ganhou, entre outros, os prêmios de Revelação de Autor da APCA, o Casa de las Américas e o Guimarães Rosa. No ano de 1998, edita Terratreme, poesia, livro que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura, pela Fundação Cultural do DF. Durante nove anos dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. É Doutor em Literatura pela UnB. Em 2000, publica o livro de poemas Andarilho, da ed. 7Letras. Em 2004, sai Eterno Passageiro (Ed. Varanda). Em 2005, pela Ed. LGE, lança o romance O viúvo, que o crítico Adelto Gonçalves chamou “de uma das primeiras obras primas da literatura brasileira do séc. XXI”. Em 2007 lançou dois livros: Manual de Tortura (Esquina da Palavra, contos, 2007) e A Ideologia do personagem brasileiro (Editora da UnB, ensaio, 2007). Em 2009, sai A máquina das mãos, poemas, publicado pela 7Letras, que ganhou o Prêmio de Poesia 2010, da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro de 2010 lança o romance Um homem é muito pouco. Memória dos Porcos é publicado em 2012. O difícil exercício das cinzas, de 2014, é seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016) e, mais recente, Matadouro de Vozes (2018)
terça-feira, 24 de março de 2026
Lorca e Dalí, uma amizade transbordante, alucinada
A relação entre Salvador Dalí e Federico García Lorca foi de uma amizade transbordante, alucinada – e, por incrível que pareça, mais solicitante da parte de Lorca – e acabou por influenciar o poeta granadino. Há um momento crucial na trajetória de Lorca ao publicar o seu Cancionero gitano. Era o momento mais alto de uma poesia enraizada no solo de Andaluzia. Ao mesmo tempo em que recebia as melhores críticas e tinha se tornado um poeta nacional, Lorca recebia uma admoestação devastadora de Dalí que lhe escrevia desde Figueres, sua cidade natal na Catalunha.
Na
carta, Dalí acusava Lorca de ser passadista, de ter feito um livro “costumbrista”,
uma poesia provinciana, localista, logo pouco universal. Este “gitanismo” de
Lorca ia contra toda a estética do pintor catalão. Dalí gostara muito das odes
que escrevera o poeta andaluz porque uma era a ele dedicada e estavam
despojadas de elementos pitorescos e anedóticos e pejadas de surrealismo. “Ode
a Salvador Dalí” e “Ode ao Santíssimo Sacramento” são dois poemas longos,
distante da temática cigana, e construída com uma estética que não prima pelo
ritmo das redondilhas e refrões típicos do “cante jondo” da sua Granada.
Antes,
Salvador Dalí havia escrito um longo elogio, estranho e deslocado elogio, a São
Sebastião. Os dois tinham verdadeiro fascínio pela figura jovem e despida,
musculosa, de San Sebastián. A literatura de Dalí era tortuosa, com ortografia
própria – e imagens desbordantes. Entre
outras tantas imagens aparece, por exemplo, frases do tipo: “Cada minuto
llegaba el olor del mar y anatómico como las piezas de un cangrejo”. Já
era uma forma de literatura que impressionou García Lorca tanto quanto os
quadros do pintor. Dalí passou a ser para o poeta um teórico não apenas da arte
em geral, mas da teoria da literatura. Vale lembrar que Dalí era mais jovem que
o poeta granadino e estava naquele momento se afastando de Lorca (para a
tristeza e ciúmes de Federico). Outro que condenou – e chegou até mesmo a
ridicularizar – foi Buñuel que por esse tempo se aproximava mais de Dalí. Ambos
se reuniram, nesta época, para escrever o roteiro de Le chien andalou. A
carta que Buñuel escreveu condenando Lorca com os mesmos argumentos de Dalí
parece, contudo, não chegou a ser lida por Federico.
ganhou, entre outros, os prêmios de Revelação de Autor da APCA, o Casa de las Américas e o Guimarães Rosa. No ano de 1998, edita Terratreme, poesia, livro que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura, pela Fundação Cultural do DF. Durante nove anos dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. É Doutor em Literatura pela UnB. Em 2000, publica o livro de poemas Andarilho, da ed. 7Letras. Em 2004, sai Eterno Passageiro (Ed. Varanda). Em 2005, pela Ed. LGE, lança o romance O viúvo, que o crítico Adelto Gonçalves chamou “de uma das primeiras obras primas da literatura brasileira do séc. XXI”. Em 2007 lançou dois livros: Manual de Tortura (Esquina da Palavra, contos, 2007) e A Ideologia do personagem brasileiro (Editora da UnB, ensaio, 2007). Em 2009, sai A máquina das mãos, poemas, publicado pela 7Letras, que ganhou o Prêmio de Poesia 2010, da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro de 2010 lança o romance Um homem é muito pouco. Memória dos Porcos é publicado em 2012. O difícil exercício das cinzas, de 2014, é seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016) e, mais recente, Matadouro de Vozes (2018)
domingo, 22 de março de 2026
O viúvo 18
O jardineiro vem uma vez por semana. Poda as árvores pequenas, corta a grama, limpa a varanda, trata das árvores frutíferas, arranca as ervas daninhas, enfim, trata o jardim com a necessária atenção de profissional. Mas não tem mãos delicadas para outras artes como as flores. As rosas acontecem. Simplesmente, acontecem.
ganhou, entre outros, os prêmios de Revelação de Autor da APCA, o Casa de las Américas e o Guimarães Rosa. No ano de 1998, edita Terratreme, poesia, livro que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura, pela Fundação Cultural do DF. Durante nove anos dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. É Doutor em Literatura pela UnB. Em 2000, publica o livro de poemas Andarilho, da ed. 7Letras. Em 2004, sai Eterno Passageiro (Ed. Varanda). Em 2005, pela Ed. LGE, lança o romance O viúvo, que o crítico Adelto Gonçalves chamou “de uma das primeiras obras primas da literatura brasileira do séc. XXI”. Em 2007 lançou dois livros: Manual de Tortura (Esquina da Palavra, contos, 2007) e A Ideologia do personagem brasileiro (Editora da UnB, ensaio, 2007). Em 2009, sai A máquina das mãos, poemas, publicado pela 7Letras, que ganhou o Prêmio de Poesia 2010, da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro de 2010 lança o romance Um homem é muito pouco. Memória dos Porcos é publicado em 2012. O difícil exercício das cinzas, de 2014, é seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016) e, mais recente, Matadouro de Vozes (2018)
quarta-feira, 18 de março de 2026
Réquiem , poema RCF
Posso
caber nos mais míseros lugares:
nas frestas das janelas
abandonadas de um convento,
nos parafusos
enferrujados das mesas bambas,
nos vidros empoeirados
dos basculantes,
na dobra das cartas do
baralho de um jogo de pôquer.
Indiferente
aos carvalhos e às mãos longas do adeus,
descerei o rio das
aleias, na canoa rija.
A morte flui como um rio
embora outras formas
de água sejam mares
mortos.
Como a piscina:
estranha
tumba
onde
nenhuma vida viceja
na
água clorada
e
passageira
dos banhistas.
Tudo
falseia num mundo de águas.
No aquário existe a
imitação da vida
marinha no estelionato
da ostras
de plástico que
borbulham suas
pérolas
de oxigênio.
O
ínfimo, o pouco, o nada –
nenhum
deserto tem a secura
de
minha alma beduína.
Que
ilusionismo é este? Um poço de fundo falso,
um relógio
sem ponteiros,
um trem sem
trilhos
e
o jogo de
xadrez – imóvel e eterno –
jogado sem
peças.
Tenho medo
de acabar falando sozinho
como os
loucos e os rádios.
Ao
me virem nas fotos do álbum esquecido
na gaveta
dirão:
quem
é este de cabelos ralos
e
óculos
de aro fino?
ganhou, entre outros, os prêmios de Revelação de Autor da APCA, o Casa de las Américas e o Guimarães Rosa. No ano de 1998, edita Terratreme, poesia, livro que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura, pela Fundação Cultural do DF. Durante nove anos dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. É Doutor em Literatura pela UnB. Em 2000, publica o livro de poemas Andarilho, da ed. 7Letras. Em 2004, sai Eterno Passageiro (Ed. Varanda). Em 2005, pela Ed. LGE, lança o romance O viúvo, que o crítico Adelto Gonçalves chamou “de uma das primeiras obras primas da literatura brasileira do séc. XXI”. Em 2007 lançou dois livros: Manual de Tortura (Esquina da Palavra, contos, 2007) e A Ideologia do personagem brasileiro (Editora da UnB, ensaio, 2007). Em 2009, sai A máquina das mãos, poemas, publicado pela 7Letras, que ganhou o Prêmio de Poesia 2010, da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro de 2010 lança o romance Um homem é muito pouco. Memória dos Porcos é publicado em 2012. O difícil exercício das cinzas, de 2014, é seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016) e, mais recente, Matadouro de Vozes (2018)
quinta-feira, 12 de março de 2026
Tambores, poema de Matadouro de vozes
que
bumbam o boi?
O
chapéu de penas
flutua
o matadouro.
O
boi de duas pernas
zabumba
o
pasto do patrão.
As
lantejoulas polvilham
estrelas
na noite mais áspera.
Dançam
as palmeiras
com
seus braços embriagados
de
matracas e surdos.
ganhou, entre outros, os prêmios de Revelação de Autor da APCA, o Casa de las Américas e o Guimarães Rosa. No ano de 1998, edita Terratreme, poesia, livro que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura, pela Fundação Cultural do DF. Durante nove anos dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. É Doutor em Literatura pela UnB. Em 2000, publica o livro de poemas Andarilho, da ed. 7Letras. Em 2004, sai Eterno Passageiro (Ed. Varanda). Em 2005, pela Ed. LGE, lança o romance O viúvo, que o crítico Adelto Gonçalves chamou “de uma das primeiras obras primas da literatura brasileira do séc. XXI”. Em 2007 lançou dois livros: Manual de Tortura (Esquina da Palavra, contos, 2007) e A Ideologia do personagem brasileiro (Editora da UnB, ensaio, 2007). Em 2009, sai A máquina das mãos, poemas, publicado pela 7Letras, que ganhou o Prêmio de Poesia 2010, da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro de 2010 lança o romance Um homem é muito pouco. Memória dos Porcos é publicado em 2012. O difícil exercício das cinzas, de 2014, é seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016) e, mais recente, Matadouro de Vozes (2018)
quarta-feira, 11 de março de 2026
Vertigem das baixezas, poema RCF
Os alpinistas escalam a morte.
Também sei o perigo do cume,
mesmo sem me deslocar,
sei o alpinismo dos olhares submersos
que me fazem perder o pino.
(Eterno passageiro, 2004)
ganhou, entre outros, os prêmios de Revelação de Autor da APCA, o Casa de las Américas e o Guimarães Rosa. No ano de 1998, edita Terratreme, poesia, livro que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura, pela Fundação Cultural do DF. Durante nove anos dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. É Doutor em Literatura pela UnB. Em 2000, publica o livro de poemas Andarilho, da ed. 7Letras. Em 2004, sai Eterno Passageiro (Ed. Varanda). Em 2005, pela Ed. LGE, lança o romance O viúvo, que o crítico Adelto Gonçalves chamou “de uma das primeiras obras primas da literatura brasileira do séc. XXI”. Em 2007 lançou dois livros: Manual de Tortura (Esquina da Palavra, contos, 2007) e A Ideologia do personagem brasileiro (Editora da UnB, ensaio, 2007). Em 2009, sai A máquina das mãos, poemas, publicado pela 7Letras, que ganhou o Prêmio de Poesia 2010, da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro de 2010 lança o romance Um homem é muito pouco. Memória dos Porcos é publicado em 2012. O difícil exercício das cinzas, de 2014, é seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016) e, mais recente, Matadouro de Vozes (2018)
segunda-feira, 9 de março de 2026
O amor traduzido, poema RCF

esconde encontros lúbricos
atrás de portas que se multiplicam
como espelhos postos um diante do outro.
Pensei em gestos ensandecidos:
enforcamento por pasmo,
o arsênico da fome,
o gás do flagrante.
cortei o cabelo,
usei bigode e fiz curso noturno.
Li poemas de Shakespeare,
no original,
porque o amor
é de difícil tradução.
ganhou, entre outros, os prêmios de Revelação de Autor da APCA, o Casa de las Américas e o Guimarães Rosa. No ano de 1998, edita Terratreme, poesia, livro que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura, pela Fundação Cultural do DF. Durante nove anos dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. É Doutor em Literatura pela UnB. Em 2000, publica o livro de poemas Andarilho, da ed. 7Letras. Em 2004, sai Eterno Passageiro (Ed. Varanda). Em 2005, pela Ed. LGE, lança o romance O viúvo, que o crítico Adelto Gonçalves chamou “de uma das primeiras obras primas da literatura brasileira do séc. XXI”. Em 2007 lançou dois livros: Manual de Tortura (Esquina da Palavra, contos, 2007) e A Ideologia do personagem brasileiro (Editora da UnB, ensaio, 2007). Em 2009, sai A máquina das mãos, poemas, publicado pela 7Letras, que ganhou o Prêmio de Poesia 2010, da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro de 2010 lança o romance Um homem é muito pouco. Memória dos Porcos é publicado em 2012. O difícil exercício das cinzas, de 2014, é seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016) e, mais recente, Matadouro de Vozes (2018)
O papel de cada um, poema de Matadouro de Vozes
Nem todo papel
tem o mesmo peso.
Os papéis do divórcio
têm a gramatura descabelada.
O quilo do atestado de óbito
é áspero e melancólico.
A saliva da máquina me azeita.
Guardo a fome na despensa.
A roda do desejo ainda me saliva.
A largura do mínimo.
Trago minhas opiniões,
evaporo minhas ideais,
e o que me resta são cinzas.
Minha pele, o papel do meu corpo,
se destitui do tempo.
ganhou, entre outros, os prêmios de Revelação de Autor da APCA, o Casa de las Américas e o Guimarães Rosa. No ano de 1998, edita Terratreme, poesia, livro que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura, pela Fundação Cultural do DF. Durante nove anos dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. É Doutor em Literatura pela UnB. Em 2000, publica o livro de poemas Andarilho, da ed. 7Letras. Em 2004, sai Eterno Passageiro (Ed. Varanda). Em 2005, pela Ed. LGE, lança o romance O viúvo, que o crítico Adelto Gonçalves chamou “de uma das primeiras obras primas da literatura brasileira do séc. XXI”. Em 2007 lançou dois livros: Manual de Tortura (Esquina da Palavra, contos, 2007) e A Ideologia do personagem brasileiro (Editora da UnB, ensaio, 2007). Em 2009, sai A máquina das mãos, poemas, publicado pela 7Letras, que ganhou o Prêmio de Poesia 2010, da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro de 2010 lança o romance Um homem é muito pouco. Memória dos Porcos é publicado em 2012. O difícil exercício das cinzas, de 2014, é seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016) e, mais recente, Matadouro de Vozes (2018)
sexta-feira, 6 de março de 2026
Anatomia do pó, poema RCF
I
Essa invisibilidade me corrompe.
A que espécie de tédio pertence o pó?
II
O grão do pó se materializa
em camadas de memórias abandonadas.
III
Pele porosa de terra.
Superfície sobre superfície.
Um bicho de duas peles.
(Eterno passageiro, 2004)
imagem retirada da internet: vermeer
ganhou, entre outros, os prêmios de Revelação de Autor da APCA, o Casa de las Américas e o Guimarães Rosa. No ano de 1998, edita Terratreme, poesia, livro que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura, pela Fundação Cultural do DF. Durante nove anos dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. É Doutor em Literatura pela UnB. Em 2000, publica o livro de poemas Andarilho, da ed. 7Letras. Em 2004, sai Eterno Passageiro (Ed. Varanda). Em 2005, pela Ed. LGE, lança o romance O viúvo, que o crítico Adelto Gonçalves chamou “de uma das primeiras obras primas da literatura brasileira do séc. XXI”. Em 2007 lançou dois livros: Manual de Tortura (Esquina da Palavra, contos, 2007) e A Ideologia do personagem brasileiro (Editora da UnB, ensaio, 2007). Em 2009, sai A máquina das mãos, poemas, publicado pela 7Letras, que ganhou o Prêmio de Poesia 2010, da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro de 2010 lança o romance Um homem é muito pouco. Memória dos Porcos é publicado em 2012. O difícil exercício das cinzas, de 2014, é seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016) e, mais recente, Matadouro de Vozes (2018)
Crítica a Vieira na ilha do Maranhão (Pravda)
Os anos do padre Vieira no Maranhão
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Adelto Gonçalves (*)
I
Depois de produzir um romance, O viúvo (Brasília, LGE Editora, 2005), que foi classificado por este crítico como "uma das poucas obras-primas do romance brasileiro deste início de século XXI", o romancista, poeta e ensaísta Ronaldo Costa Fernandes (1952) acaba de mostrar que sua forja continua bem acesa, ao lançar, desta vez, Vieira na ilha do Maranhão (Rio de Janeiro, 7Letras, 2019), que constitui um tentativa exitosa de criar um gênero híbrido de crônica e romance, misturando história à ficção, como bem observou o contista Alexandre Arbex na apresentação que escreveu para este livro. < /span>
Cristóvão, escrivão da Inquisição, mudou-se para o Brasil em 1614, para assumir cargo de escrivão em Salvador, na Bahia, mandando vir em 1618 a família, que incluía António e mais três filhos. Na Bahia, António iniciou seus estudos no Colégio dos Jesuítas de Salvador, ingressando na Companhia de Jesus como noviço em 1623, prosseguindo os seus estudos em Teologia, Lógica, Metafísica e Matemática.
Após a restauração da independência de Portugal em 1640, regressou a Lisboa iniciando uma carreira diplomática, pois integrava a missão que ia ao Reino prestar obediência ao novo monarca. A partir de então, começou a criar fama como pregador em razão da eloquência e firmeza com que fazia seus sermões. Por outro lado, suas pregações começaram a lhe causar dissabores, o que contribuiu para retornar à América portuguesa, desta vez estabelecendo-se no Maranhão em 1653, ano em que proferiu o famoso Sermão da Primeira Dominga de Quaresma com o qual tentou convencer os senhores de engenho a libertarem os seus escravos in dígenas.
II
É a partir daqui que Costa Fernandes procura recuperar o que foi a estada de Vieira no Maranhão, criando outras personagens que gravitavam em torno do grande catequizador, como o mouro Omar Zaher, homem de dois metros de altura, que sonhava escrever um dicionário universal e vivia cercado de alfarrábios de outras línguas europeias; o holandês Johannes van Basselar, que trocara a civilização europeia pelo amor de uma indígena, chegando ao exagero de participar da atividade canibalista da nação nheengaíba; e o padeiro Bento, preso por atentar contra a vida do fidalgo Nogueira de Almeida, a quem considerava um curupira, acusando-o de ter "vomitado" a peste da bexiga negra no povo do Maranhão.
Por esta amostra das personagens, o leitor pode estar certo de que vai encontrar neste livro uma narrativa pouco usual, multifacetada e polifônica, que se destaca por uma dicção peculiar, que procura reconstruir o português falado no século XVII, aproveitando também a linguagem que se lê nos sermões e cartas da personagem principal, o padre António Vieira, como se percebe no trecho abaixo:
Os colonos mais pobres assentiam com a cabeça, horrorizados com o poder do diabo. Os fidalgos bufavam, inquietos no banco incomodante. A maioria, contudo, ouvia certa música celestial onde não havia mais que a voz de Vieira.
III
Nascido em 1952 em São Luís, o maranhense Ronaldo Costa Fernandes é mestre em Literatura Hispano-americana pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutor em Literatura pela Universidade de Brasília. Deu aulas de literatura na Universidade Notre Dame (1977) e na Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante. Foi chefe do Setor de Arte e Cultura da Universidade Católica de Brasília de 1997 a 1998 e trabalhou na Secretaria Especial da Presidência da República em 1985.
Pertence ao quadro do Ministério da Cultura desde 1980. Foi coordenador da Fundação Nacional de Artes (Funarte), órgão ligado ao Ministério da Cultura, de 1995 a 2003. Cedido nesta época ao Senado Federal, trabalhou no Conselho Editorial da Casa. Dirigiu, durante nove anos, o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. Foi, durante três anos e meio, professor-convidado de Literatura Brasileira na Universidade Central da Venezuela.
Entre suas obras, estão os livros de poemas Estrangeiro (1997), Terratreme (1998), que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura da Fundação Cultural do Distrito Federal, Andarilho (2000), Eterno passageiro (2004) e A máquina das mãos (2009), que ganhou o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Em 2007, lançou Manual de Tortura (2007), contos, e A Ideologia do personagem brasileiro (2007), ensaio.
Em 2010, lançou o romance Um homem é muito pouco e, em 2012, Memória dos porcos. Em 2014, publicou O difícil exercício das cinzas, seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016). Em 2018, publicou Matadouro de vozes, conjunto de poemas que mescla "um tom filosófico com quase imperceptíveis - à primeira vista - apelos políticos e sociais incrustados nas entrelinhas de versos harmoniosos entre si", segundo definição do crítico José Neres, em resenha publicada no jornal Correio do Estado, de Campo Grande-MS, em 7/5/2019.
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Vieira na ilha do Maranhão, de Ronaldo Costa Fernandes. Rio de Janeiro: Editora 7Letras, 2019, 218 páginas. E-mail: editora@7letras.com.br Site:www.7letras.com.br
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(*) Adelto Gonçalves, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage - o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Academia Brasileira de Letras, 2012), Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Ofic ial do Estado de São Paulo, 2015) e Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br
ganhou, entre outros, os prêmios de Revelação de Autor da APCA, o Casa de las Américas e o Guimarães Rosa. No ano de 1998, edita Terratreme, poesia, livro que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura, pela Fundação Cultural do DF. Durante nove anos dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. É Doutor em Literatura pela UnB. Em 2000, publica o livro de poemas Andarilho, da ed. 7Letras. Em 2004, sai Eterno Passageiro (Ed. Varanda). Em 2005, pela Ed. LGE, lança o romance O viúvo, que o crítico Adelto Gonçalves chamou “de uma das primeiras obras primas da literatura brasileira do séc. XXI”. Em 2007 lançou dois livros: Manual de Tortura (Esquina da Palavra, contos, 2007) e A Ideologia do personagem brasileiro (Editora da UnB, ensaio, 2007). Em 2009, sai A máquina das mãos, poemas, publicado pela 7Letras, que ganhou o Prêmio de Poesia 2010, da Academia Brasileira de Letras. Em dezembro de 2010 lança o romance Um homem é muito pouco. Memória dos Porcos é publicado em 2012. O difícil exercício das cinzas, de 2014, é seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016) e, mais recente, Matadouro de Vozes (2018)


